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SALA DE ESTUDO - LOGÍSTICA - OP LOG
 
Agenda 7 - Modais

Sistema De Transporte

 

O transporte consiste no elemento mais importante do custo logístico na maior parte das empresas, sendo o valor de frete usualmente responsável por praticamente dois terços deste custo. De um modo mais abrangente, pode-se comparar desde empresas até o grau de desenvolvimento entre nações, pois melhores sistemas de transporte contribuem diretamente para o aumento da competição no mercado, asseguram a economia de escala na produção e reduzem os preços das mercadorias.

 

O aumento da competição do mercado favorecido por um sistema de transporte eficaz pode ser traduzido pela aproximação entre produtores localizados em diversos pontos, pois quando os custos de transporte são baixos ou baratos o suficiente para permitir que as mercadorias se desloquem para mercados distantes da origem produtora, a produção é enviada para diversas regiões. Este baixo custo de transporte permite que a produção seja comercializada em diferentes regiões, aumentando a competitividade, pois o montante gasto no transporte não pesa significativamente no preço final do produto transportado. Entretanto, se os gastos em transporte são muito elevados, a extensão do mercado tende a ficar limitada às redondezas da área produtora pois, desta forma, o alto custo de transporte não incentiva sua utilização. Portanto, melhores sistemas de transporte viabilizam a ampliação de mercados.

 

Uma conseqüência direta sobre esses mercados é o efeito da economia de escala na produção, onde a demanda crescente nos mercados promove o emprego de certas facilidades de produção, que alavancam a produtividade. O ritmo crescente da produtividade promove mudanças no trabalho em cada etapa de produção, e este se torna mais refinado, enquanto as atividades vão se aprimorando até desenvolverem cada qual uma especialização.

 

Adicionalmente, o custo de transporte barato permite uma liberdade de escolha para instalações industriais, levando-se em conta outros fatores como vantagens geográficas, incentivos fiscais, facilidades de infra-estrutura, não havendo necessidade da produção se situar ao lado do mercado consumidor. Desta forma, uma instalação industrial pode, por exemplo, duplicar sua produção sem necessariamente duplicar sua infra-estrutura – pelo efeito da economia de escala – almejando atender demandas em mercados geograficamente distantes. O baixo custo do sistema de transportes permite que a produção chegue ao seu destino em uma região distante com preço competitivo com a produção local.

 

Transporte de carga

 

A movimentação de carga possui cinco modais básicos de transporte: ferrovia, rodovia, hidrovia, dutos e aerovias, cujos atores – transportadores, agências e associações – interagem entre si, buscando arranjos mais econômicos de frete, estimulando tanto a competitividade entre modais como dentro de um mesmo modal. A importância de cada modal é relativa, devido às diferentes estruturas de custos cuja importância permite entender a não só a competição entre os modais como potencial de complementação entre os mesmos, e assim definir o transporte como o sistema logístico em sua dimensão mais ampla.

 

1-     Modal Dutoviário – O duto é um método altamente eficiente para mover produtos líquidos ou gasosos por grandes distâncias. O uso de dutos limita-se principalmente aos líquidos, quase inteiramente a petróleo e derivados, para os quais a movimentação é considerada economicamente viável. Gases também são movimentados em grande volume e alguns produtos que podem permanecer suspensos em líquidos e movidos como fluidos. O transporte de gases é dificultado pelo seu estado (gasoso), e o transporte do gás natural por dutos – gasodutos, cuja técnica é mais antiga que a de oleodutos – requer uma infra-estrutura complexa que exige investimentos elevados. Desta forma, só se viabiliza a construção de um gasoduto quando o consumo do gás a ser enviado pode ser assegurado.

 

2-     Modal Aeroviário – O transporte aéreo se destaca pela sua velocidade sem paralelo, principalmente para longas distâncias, o que caracteriza uma vantagem competitiva. A disponibilidade e a confiabilidade do serviço aéreo podem ser consideradas boas sob condições normais de operação. Entretanto, a capacidade de transporte fica restrita às dimensões físicas dos porões de carga dos aviões.

 

A limitação principal do modal aéreo não reside em problemas técnicos, mas sim nas suas taxas de frete, relativamente altas quando comparadas com outros modais. A utilização do transporte aéreo se restringe aos produtos que podem compensar efetivamente seus custos elevados por melhor nível de serviço.

 

Os produtos normalmente transportados são peças e equipamentos eletrônicos, instrumentos óticos, confecções finas, peças de máquinas e flores colhidas, ou seja, produtos cujo valor agregado é elevado, se comparados com seu peso ou volume, ou quando necessitam de rápida entrega para sua distribuição.

 

3-     Modal Hidroviário – A abrangência do modal hidroviário está limitada por diversas razões. As hidrovias domésticas estão confinadas ao sistema hidroviário interior, exigindo, portanto, que o usuário ou esteja localizado em suas margens ou utilize em conjunto outro modal de transporte. Além disso, o transporte aquático é, em média, mais lento que a ferrovia. Disponibilidade e confiabilidade são fortemente influenciados pelas condições meteorológicas.

 

O modal hidroviário opera principalmente com granéis. Carvão, minérios, coque, cascalho, areia, petróleo, ferro e aço semi-processados, grãos e cimentos compõem grande porcentagem do tráfego nas hidrovias. Geralmente, são produtos de baixo valor específico e não-perecíveis, de maneira que seus custos de estoque não são excessivos e, portanto, utilizam serviço lento e sazonal, em troca de fretes baixos.

 

Ainda, transportadores hidroviários também levam bens de alto valor, principalmente operadores internacionais. Essas mercadorias costumam ir em contêiners - caixas fechadas com dimensões padrão para facilitar o manuseio – que são transportados em navios especializados (porta-contêiners), para reduzir o tempo de carga ou descarga e para desempenhar melhor operação intermodal.

 

4-     Modal Ferroviário - A ferrovia é basicamente um transportador lento de matérias-primas ou manufaturados de baixo valor agregado para longas distâncias. As baixas velocidades e pequenas distâncias diárias percorridas refletem o fato de que o vagão gasta grande parte de seu tempo carregando, descarregando e locomovendo-se de um ponto a outro de um terminal, sendo classificado e agregado em composições que precisam ser totalmente preenchidas, e que correm o risco de ficarem inativas durante uma queda sazonal de demanda. O trem geralmente possui fretes mais baratos e desempenho global ligeiramente inferior ao seu competidor mais próximo, o modal rodoviário, concentrando-se nas cargas cujo valor em relação a peso ou volume são mais baixos. Entretanto, são capazes de manipular maior variedade de cargas, principalmente aquelas cujo peso e dimensões ultrapassam os limites permitidos ao transporte rodoviário, por inviabilidade técnica ou questões de segurança. Produtos químicos, siderúrgicos, plásticos e grãos são exemplos de cargas comumente encontradas nas ferrovias.

 

5-     Modal Rodoviário - Junto com o modal ferroviário, o modal rodoviário é utilizado para movimentar a maioria dos produtos manufaturados e mais de dois-terços das toneladas-km geradas entre os centros urbanos. Nas rotas atendidas pelo modal ferroviário, a rodovia compete essencialmente com fretes semelhantes. A opção entre os dois modais se dá em função das compensações entre custo e nível de serviço.

 

O transporte rodoviário difere do ferroviário principalmente no atendimento a rotas de curta distância de produtos acabados e semi-acabados. Apesar da carga média do transporte rodoviário por viagem ser menor que a metade no percurso equivalente feito por ferrovia, há certas vantagens inerentes ao emprego de caminhões, como o fato do serviço porta a porta, de modo que não é obrigatório o carregamento total em uma determinada origem, bem como a descarga completa em um dado destino – ocorrência comum no transporte aéreo e na ferrovia; a freqüência e a disponibilidade dos serviços; e a velocidade e a conveniência no transporte porta a porta. Dentre as cargas rodoviárias típicas, pode-se citar instrumentos, móveis e acessórios, metais, bebidas e alimentos.

 

6-     Multimodalidade - recentemente, tem havido um renovado interesse na idéia de integrar os serviços de mais de um modal de transporte. O transporte multimodal sugere uma combinação adequada de dois ou mais modais com alto nível de eficiência de cada modal e nas respectivas interfaces.

 

Os fatores que normalmente os usuários utilizam para a seleção de um transporte são: preço, disponibilidade de rota e freqüência, transit-time (porta-a-porta), segurança (física e patrimonial), regularidade, pontualidade e cultura em relação à utilização de um determinado modal, entre outros.

 

Dependendo do grau de integração operacional entre os diversos modais, é possível perceber as vantagens de operar com mais de um modal. Um exemplo de multimodalidade é a utilização do transporte hidroviário, seguido do rodoviário e/ou ferroviário no transporte de contêiners. Um exemplo, neste caso de bimodalidade “artificial”, são os rodo-trailers, vagões ferroviários híbridos, que podem ser acoplados a cavalos mecânicos, sendo tracionados como carretas rodoviárias.

 

Os custos logísticos para cada modal, para o transporte isolado ou em conjunto, dependem dos trade-offs[1], entre cada componente da cadeia logística. Os custos de armazenagem, manutenção de estoques e os custos de transporte devem ser comparados aos níveis de serviço exigidos pelo cliente, assim como ao montante que o mesmo está disposto a pagar. Entretanto, a produtividade nos modais é fundamental, principalmente devido ao elevado peso dos custos fixos.

 

A remuneração do capital, os salários dos motoristas, pilotos e condutores, de oficinas, a reposição de veículos (caminhões – carretas e cavalos, locomotivas e vagões, embarcações e aeronaves), os custos de aferição no INMETRO e o licenciamento, assim como os seguros para os equipamentos e para a carga, obrigatórios ou não, representam os pesados custos fixos destes modais. As peças, acessórios e materiais de manutenção, o combustível, os lubrificantes, os serviços de lavagem e lubrificação, os gastos com pneus, bitolas, proteção catódica para os cascos, são os mais importantes custos variáveis que devem ser calculados.

 

Para cada modal, a relação peso/valor fornece um referencial inicial para a estimativa de frete, excluindo-se as cargas que necessitam de tratamento específico (aquecimento, criogenia, proteção devido à fragilidade), cujo valor é encarecido devido a especificidade do transporte. Contudo, o custo médio sofre uma significativa redução com o aumento da eficiência logística.

 

Para uma abordagem mais concisa, podemos considerar as características de custos dos cinco modais conforme se segue:

·        Modal Ferroviário: Altos custos fixos em equipamentos, terminais, vias férreas etc. Custo variável baixo;

·        Modal Rodoviário: Custos fixos baixos (rodovias estabelecidas e construídas com fundos públicos ou privado de terceiros - concessionários). Custo variável médio (combustível, manutenção, pedágios etc.);

·        Modal Hidroviário: Custo fixo médio (navios e equipamentos). Custo variável baixo (capacidade para transportar grande quantidade de tonelagem);

·        Modal Dutoviário: Custo fixo mais elevado (direitos de acesso, construção, requisitos para controles das estações e capacidade de bombeamento). Custo variável mais baixo (nenhum custo com mão-de-obra de grande importância);

·        Modal Aeroviário: Custo fixo alto (aeronaves e manuseio de sistemas de carga); Alto custo variável (combustível, mão-de-obra, manutenção etc.).

 



[1]  Trade-offs: termo que pode ser traduzido, com reservas, como compromisso ou relacionamento.


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