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2 - Apostila Comunicação - Relacionamento

Vale o direito de resposta. Sempre vale. Mas o que se ganha? Talvez pouco, mas por uma questão de cidadania é necessário exercê-lo. 

A seguir,  a elegância e firmeza com que o lider do Yôga, Mestre DeRose, exerce o seu direito de resposta, na tentativa de resgatar sua imagem abalada pela reportagem publicada em Isto É de 21 de janeiro de 2004. 


São Paulo, 19 de janeiro de 2.004.

e-mail cartas@istoé.com.br

fax (11) 3611-7211

 Não somos unânimes nem sozinhos.
Millôr Fernandes

Estimado Senhor Diretor de Redação.

Ref. IRRESISTÍVEL, IstoÉ de 21 de janeiro de 2.004

Está excelente a matéria de Yôga que Celina Côrtes e Lia Bock escreveram, exceto pelos dados errados com relação a mim que foram levados a público.

Em primeiro lugar os agradecimentos. Obrigado pelo grande espaço que me foi concedido (mais de uma página) e por terem dito que sou o nome mais conhecido do Yôga. Foi muito gentil da sua parte. Sou grato também por haverem citado os meus livros Faça Yôga antes que você precise; Yôga, mitos e verdades; e Tudo sobre Yôga. Obrigado pelo apoio ao autor nacional.

Outro ponto a elogiar foi o volume de trabalho envolvido na matéria, pois nota-se que houve um considerável investimento de tempo em pesquisa. Suponho que tenha custado meses de trabalho, entrevistando pessoas e debulhando sites na Internet.

Como entendo que a Imprensa tenha um compromisso com a verdade, aí vão as correções:

1.       As pessoas confundem cordialidade com mansidão. Todos os meus alunos podem atestar que minha didática consiste em colocações agressivas e tom de voz que não tem nada de manso. Ademais, tenho consciência de que quando dei a entrevista para IstoÉ, nosso diálogo não foi, de forma alguma, ameno. Portanto, não compreendo que o box destinado ao De Rose tenha começado declarando que eu falo manso. Seria para já ir moldando a opinião do leitor? Eu, pelo menos, não gosto de quem fala manso e, como eu, muita gente também não gosta. Saibamos distinguir entre fala mansa e polidez.

2.       Apesar de eu ter esclarecido à entrevistadora que não trabalho com franquia, ela insiste em publicar que sim, o que é uma inverdade. É muito fácil saber se trata-se de franquia ou não. Basta consultar as escolas autônomas que optaram por filiar-se ao nosso método. Para esclarecimento, estou anexando, novamente, uma explanação sobre as diferenças entre franquia e credenciamento, a qual já havia sido fornecida à jornalista, mas ela preferiu ignorar.

3.       Só tenho uma escola, situada à Al. Jaú, 2.000. As centenas de entidades que ostentam o nome Mestre DeRose não pertencem à pessoa física do Mestre DeRose, assim como os milhares de escolas Montessori não pertencem à Profa. Maria Montessori. Chamamos de rede Mestre DeRose ao conjunto de entidades (escolas, núcleos culturais, associações, federações) que reconhecem o valor do método e optaram por trabalhar em parceria. Portanto, é falsa a afirmação de que elas paguem alguma coisa ao Mestre DeRose.

4.       Dessa forma, foi uma irresponsabilidade atribuir aquele valor absolutamente alucinado ao que eu ganho. Se assim fosse, eu não viveria num apartamento de um só quarto, de três metros quadrados, dentro das dependências da própria escola. Viveria numa mansão e teria um patrimônio impossível de esconder. Aliás, é muito fácil rastrear propriedades e contas bancárias. No que concerne ao Yôga, só aufiro apenas o referente ao meu trabalho, que são os cursos e supervisões que dou, os quais são direcionados a instrutores de Yôga e não são abertos ao grande público. Mesmo os direitos autorais dos meus livros, recebo-os em exemplares e não em dinheiro. O que faço com eles? Envio gratuitamente centenas de exemplares para os professores de outras linhas de Yôga, yóga ou ioga, como eles podem atestar mediante um simples telefonema, e centenas de exemplares de cada título enviados graciosamente à Imprensa, para que os jornalistas possam estar mais bem informados sobre o que é um trabalho sério de Yôga, que não venda panacéias, não pregue sectarismo, nem abra concessões ao consumismo.

5.       O perfil de público mais fácil de ser manipulado são os enfermos e os místicos, público com o qual eu não trabalho. Nossos alunos são pessoas cultas (médicos, engenheiros, arquitetos, advogados, juízes, psicólogos, empresários, executivos e universitários), saudáveis, cuja maioria está na faixa etária mais lúcida.

6.       Já foi dito, pleno de sabedoria, que “toda unanimidade é burra”. Estou satisfeito por contar com a aprovação das pessoas mais esclarecidas, que são meus leitores e alunos universitários e intelectuais. Esses é que deveriam ser entrevistados a respeito do meu trabalho, pois o conhecem, e não os concorrentes que recendem inveja, como é fácil de perceber nas suas reticências.

7.       Meu filho não está rompido comigo. Ele aprendeu comigo o Yôga e, como é normal, seguiu o seu caminho com independência. Abriu uma escola, muito boa, por sinal, e prossegue trabalhando com o Yôga. Minha filha também trabalha com Yôga há muitos anos e poderia ter sido entrevistada para reforçar o conteúdo desse tópico familiar que a jornalista achou por bem levar a público.

8.       A frase que a repórter cortou e isolou do contexto era, na verdade: “o Yôga mais antigo é o melhor, o mais autêntico, o mais completo, o mais forte e o mais lindo.” Alguém poderá censurar ou questionar essa afirmação? A jornalista caustíca: “Frases como essa desagradam a muitos instrutores.” Discordo. Essa frase não é questionada por nenhum colega. A frase que eles antipatizariam foi a que ela publicou distorcida na reportagem, o que teria o efeito de jogar o leitor contra mim.

9.       Sei que não foi sua intenção, mas a frase parece discriminatória quando diz que na Universidade de Yôga todos devem chamar o De Rose de mestre. Primeiramente, não é verdade. Ainda que o fosse, chamar de Mestre o sensei de Karatê, ou o professor de Capoeira não tem nada de mais e no meu caso, por tratar-se de Yôga, teria?

10.   A jornalista escreve “mestre”, entre aspas, na pag. 45. Por que o sarcasmo? Na CBO – Classificação Brasileira das Ocupações, do Ministério do Trabalho, são relacionadas dezenas de profissões com título de Mestre, entre elas, Mestre de Charque, Mestre de Corte e Costura e Mestre Encanador de Água e Esgoto. Qual é o problema com o título Mestre de Yôga? Realmente, há uma discriminação.

11.   Em nenhum dos meus 20 livros estimulei a poligamia como a jornalista conspurcou. Minha crítica, exposta no livro Alternativas de relacionamento afetivo, é muito clara contra a falsidade e a traição perpetradas por aqueles que se dizem monogâmicos. Mais uma vez, a jornalista isola uma frase do contexto, para dar ao leitor uma impressão falsa das minhas idéias.

12.   A jornalista debocha: “De Rose assegura que, por meio da meditação, entrou em contato com o Mestre Bháva, um espírito que teria lhe revelado grande parte do que sabe.” Em lugar algum dos meus livros refiro-me a esse tal de Mestre Bháva. Em parte alguma declaro que recebi revelação de “um espírito”, e sim de um registro no inconsciente coletivo. Mas se eu fosse espiritualista e houvesse mesmo declarado que recebi os ensinamento de um espírito, deveria merecer o escárnio da repórter por esse motivo? Então nós estaríamos diante de uma discriminação religiosa. O que diriam os espíritas sobre esse preconceito da jornalista?

13.   É mentira que De Rose insiste que seus alunos não leiam outros livros. Basta consultar minha obra Faça Yôga antes que você precise e outros livros meus para verificar que indico uma bibliografia para a leitura dos alunos, na qual cerca de 80% dos livros recomendados são de outros autores e de outras modalidades de Yôga.

14.   Isso também desmente a afirmação da jornalista de que eu desqualifique as demais linhas, afirmação essa marotamente arquitetada com o objetivo de criar antipatia dos colegas contra mim. Não cola, porque eles têm acesso aos meus textos e opiniões divulgadas em uma vasta correspondência que mantenho há anos com colegas de outras linhas e nas palestras que ministro para instrutores.

15.   Uma verdade na reportagem: De Rose abomina o misticismo. Mas até com isso a repórter implicou. Preferiria que eu fosse místico?

Apesar da justa indignação com relação a algumas inexatidões, defendo que a matéria foi positiva e que a esse é o trabalho da Imprensa. Por isso, criei um pensamento que ensino aos meus alunos jornalistas e aplico aos meus amigos da Imprensa: “O Jornalismo é uma faca de dois gumes, mas o que seria da humanidade sem uma boa faca?”. Portanto, prossigam seu excelente trabalho de denúncia e de esclarecimento da opinião pública. Essa é a sua missão. A nós, cabe tentar defender-nos dos equívocos que possam prejudicar nosso bom nome, nosso trabalho e nossa vida privada. E rogar que o Diretor de Redação nos permita o direito de resposta.

Cordialmente,

Mestre DeRose
www.uni-yoga.org.br

 

                                                                             


 

 
 
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